quarta-feira, 1 de maio de 2013

Ponto de rutura

A minha garganta começava a fechar e respirar tornava-se uma tarefa insuportável. Sentia um nó na garganta, no estômago, na língua e, ainda mais insuportável, na cabeça. 
Os pensamentos correm-me à velocidade da luz e não sou feita de aço resistente. Gostava de ser, mas não sou!
Palavras de Pessoa: «...se perder um amor, não se perca.». Pois bem, eu perdi-me! E só me apercebi disso hoje, depois de tantos meses...
Até hoje achei que não gostavas de mim porque gostavas de outra mulher. Não posso dizer que tenha verdadeiramente sofrido com essa condição, acho que apenas me acostumei à ideia de que eras tu que não tinhas conseguido ultrapassar. Mas descobri agora que não gostas de mim simplesmente porque não. E desengane-se quem acha que "porque não" não é resposta, porque em matéria de amor, respostas são só duas: essa, e "porque sim". E por essa condição, sim, admito, e admito pela primeira vez, que estas palavras nunca me saiam da boca mas apenas pelos dedos, em gesto inútil de que não se torne mais real ainda, eu sofro. 
Confesso que (que ninguém me entenda mal, não é futilidade, mas sim perfeccionismo) os meus primeiros pensamentos foram "talvez se eu fosse mais magra, mais bonita, mais inteligente, mais interessante..." . É que tornou-se agora claro que o problema não é teu, não foste tu que não seguiste em frente, já estás bastante mais adiante do que eu algum dia poderia imaginar; o problema sou eu! Eu não fui suficiente, eu não cheguei. Bem, para uma dúzia de noites no teu carro fui mais do que suficiente. Mas só para as noites, e alguns cigarros. Não para de dia, não para cafés diurnos com troca de olhares, não para pequenos-almoços, não para almoços, lanches ou jantares! Nada disso. E agora cabe-me a mim seguir em frente. Para a minha frente, neste momento, necessariamente e ponderadamente oposta à tua.
A juntar à minha solidão neste feriado que parecia nunca mais acabar, receber a notícia foi o meu ponto de rutura! Inevitavelmente, uma lágrima escorreu-me pela cara, escondida pela falta de luz a incidir no carro no sítio onde estacionaste quando, depois de nos envolvermos, resolveste soltar a bomba.
Não, eu não queria ficar contigo para sempre, casar e ter filhos! Eu não queria ficar contigo de todo, final da história. Mas a verdade é que eu gosto de ti. Não gosto de ti até ao céu, nem até à lua, nem te nutro amor de tamanho comparável ao do oceano. Mas gosto de ti, no meu íntimo, no meu quarto, na minha cama, nos meus livros. Gosto de ti, onde ninguém me vê a gostar. Nem mesmo tu, que não sonhas sequer que textos destes sejam escritos a teu assunto. Nem faço intenção de que o venhas a saber! Talvez, se o adivinhasses, talvez aí, não fosses tu tão quebrado e estragado quanto és. Mas talvez o fosses ainda mais, e eu mais fraca seria a teus olhos, e tu não vales isso. Vales apenas o sorriso falso com que passo os dias fora de casa, com o qual todas as outras pessoas são galardoadas também. Por isso, não te sintas demasiado especial!
Assim sendo, resta-me apenas ultrapassar, não falar mais de ti, não escrever mais sobre ti, na ânsia de não pensar mais em ti. Resta-me dizer às minhas amigas que já não me lembro de ti todos os dias e, posteriormente, que te esqueci e esperar que isso se torne verdade. 
Hoje foi o meu ponto de rutura. O dia mau dos dias maus. Mas, olhando pelo lado positivo (e sinto-me estúpida a dizer isto), amanhã será um dia, obrigatoriamente e, por exclusão de partes, melhor!

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