terça-feira, 30 de abril de 2013

Inércia

Este quarto, que, outrora, fora refúgio, castelo e muralha para o resto do mundo, sufoca-me. Estar nele deprime-me e reduz-me às reflexões corrosivas.
Talvez seja a solidão. Ai, quanto gostava de ter agora um cigarro e um copo de vinho a fazer-me companhia! 
Dói-me este empate, dói-me o quase, mas nunca, chegar a ser, dói-me esta vala que sinto no meu íntimo, quando, à noite, me dou conta que mais um dia se passou no esquecimento do mundo. Sinto, por vezes, a necessidade de ser verdadeiramente importante na vida de outra pessoa, de ter alguém que caminhe comigo, que me procure cada vez que me perder. Sinto, noutras vezes, a necessidade de acabar com essa primeira necessidade, de seguir por caminhos independentes, não querer ninguém, não amar ninguém, não ser amada. E entretanto vivo no estado de repouso. Sinto solidão e, ao mesmo tempo, sinto a vontade de não sentir por completo.
Mais um dia no esquecimento do mundo. Mais um de muitos. Mais vinte e quatro horas passadas a fazer horas para a hora em que nada irá acontecer! Mas quantas horas terão de passar até que chegue a hora da minha vida se deslocar em qualquer sentido que seja? Inércia de merda!

1 comentário:

  1. Cativaste-me do início ao fim! Não poderia concordar mais contigo! Excelente obra de criação! Parabéns! :D

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