quinta-feira, 2 de maio de 2013

oito e trinta e sete

Só a alegria do sol matinal, na sua forma mais promissora, trazendo consigo a esperança de vinte e quatro novas horas, cheias de potencial, consegue aquecer-me o sangue e suprimir a lágrima que há meses, no canto do meu olho direito, tenta render-se à força da gravidade.
Afinal, é verdade: a esperança pode ser encontrada nas maravilhas mais pequenas do quotidiano, como é o início de um novo dia,  e são as coisas mais imprevisíveis que nos sustentam em tempos de guerra interior.
Tinha-me esquecido que era nestas épocas que as armas não se limpavam. Tinha baixado as minhas todos os dias, rendido o meu corpo, exausto de falta de expectativa, ocupando o tempo a sentir-me miserável e a afastar da minha presença a minha consciência, que ficava todos os dias deitada na cama, a lamuriar, enquanto  a carne prefazia o algoritmo tedioso que me fazia sobreviver, contando todos os minutos, até à hora em que me deitava e voltava a anexar corpo e alma nos lençóis brancos arrefecidos. Tinha-me esquecido de viver.
Passam trinta e sete minutos das oito horas da manhã, e sei que será mais um dia solitário, num café solitário, junto de pessoas igualmente solitárias; mais um de tantos. Mas pelo menos, estar só não será tão cruel quanto tem sido. Pelo menos, como já não acontecia há bastante tempo, hoje trouxe-me comigo!

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